Técnicos

 

PRODUTOS TRANSGÊNICOS HOJE

 

         Acompanhando as notícias de jornais e revistas, deixei de acreditar no uso dos alimentos transgênicos para o bem da humanidade, para matar a fome da população. Em um futuro longínquo, talvez.

         Pelo visto, o que interessa no momento é ganhar o máximo de dinheiro possível. Não que isso seja proibido, mas é preciso um pouco de ética.

         Empresas desejam inundar o mercado com plantas resistentes a herbicidas (o valor nutricional não está na pauta das pesquisas), um Estado deseja vender o herbicida para todo o país (o meio ambiente que se vire), instituições de pesquisa desejam produzir iogurtes, frutas e refrigerantes com vacinas (não interessa se estes produtos terão um prazo de validade curto ou se o organismo que o está assimilando irá adquirir resistência pois o mais importante é lançar no mercado novos produtos oriundos da alta tecnologia e mostrar ao mundo que estamos acompanhando a tecnologia de ponta), e a população que seria a grande beneficiada, fica a ver navios, sem saber o que está acontecendo, tal a velocidade dos fatos.

         Fico imaginando, em um futuro próximo, como será a propaganda dos alimentos geneticamente modificados: " compre iogurte da marca X, adquira resistência ao vírus Y e, inteiramente grátis, o antídoto para o resíduo do pesticida Z".

         Para onde vamos? É isso mesmo que queremos ou querem isso para nós? Precisamos seguir esse caminho?

         Temos tantos problemas de saneamento básico, desemprego, fome,... Se podemos resolver o problema da diarréia com soro caseiro, há necessidade de investir milhões de dólares no desenvolvimento de uma banana transgênica com as mesmas propriedades? Tais recursos não seriam mais úteis na construção de hospitais, na qualificação de médicos e enfermeiros, na reestruturação da fiscalização das áreas de saúde, meio ambiente e agrícola?

         Sempre tive por princípio que se deve trabalhar com os pés no chão, fazer as coisas passo a passo e com o máximo de segurança e cuidado.

         Acredito que não adianta construirmos castelos de areia porque um dia a onda do mar vem e leva tudo.

         O que estamos construindo agora? Nosso futuro? Nosso fim? Conhecemos bem o caminho que estamos trilhando?

         Por minha forma de ser e pensar já fui classificado de reacionário, ortodoxo e contrário aos avanços da biotecnologia. Disseram-me que era necessário ser ousado, não medir meios para atingir os fins.

         Minha formação moral, religiosa, científica e humanística não permite que eu seja assim. Pode ser um defeito, já que sou, praticamente, um cidadão de meados do século XX, bastante antiquado para os padrões (virtuais) de hoje.

         O tempo dirá se estou certo ou errado, mesmo que eu não esteja aqui para saber o resultado.

AS LIÇÕES DA HISTÓRIA

          A história e a memória de uma nação e seu estudo traz muitas lições que podem ajudar na solução de muitos problemas atuais. Outras vezes, e coma um espelho que reflete a mesma imagem do passado ainda presente nos tempos atuais.

         À medida que a civilização, em geral, ou um país, em particular, se desenvolve, sua necessidade de energia tende a aumentar‘. Esta energia e retirada do meio ambiente através da utilização dos recursos naturais tanto renováveis como não renováveis. Com relação aos recursos não renováveis (par exemplo, os minérios) nada pode ser feito, pois, uma vez esgotadas as reservas, a solução e buscar fontes alternativas para substitui-los. Já os recursos naturais renováveis (por exemplo, florestas, rios, solos) podem ser reutilizados desde que sejam manejados adequadamente, obedecendo-se suas leis.

         Quando se fala em conservação dos recursos naturais não se esta propondo o "conservacionismo" puro e simples dos mesmos, mas que, acima de tudo, deve-se conhecer os recursos disponíveis, estudar as suas relações dentro do ecossistema e tentar maneja-los da forma mais racional possível, de modo a tirar o máximo proveito sem romper o equilíbrio ecológico, permitindo a sua renovação. Qualquer interferência em um ecossistema sem uma tecnologia adequada e sem o devido respeito as suas leis naturais pode provocar desastres ecológicos, muitas vezes irreversíveis.

         O homem esta ligado a terra e dela depende para a obtenção de alimento, roupas, energia e lazer. Disto já sabiam os povos antigos, tanto que, na Bíblia, pode ser encontrada a seguinte citação: -"Eis que a Assíria era o cedro no Líbano, de lindos ramos, de sombrosa folhagem, de grande estatura, cujo topo estava entre os ramos espessos... Por isso se elevou a sua estatura sobre todas as arvores do campo, e se alongaram as suas varas, pois ele tinha água suficiente para o seu crescimento. Todas as aves do céu se aninhavam nos seus ramos, todos os animais do campo geravam debaixo de sua fronde, e todos os grandes povos se assentavam a sua sombra. Agora, todos os povos da terra se retiram de sua sombra e a deixaram. Todas as aves do céu habitarão na sua ruína, e todos os animais do campo se acolherão sob os seus ramos." Estudos arqueológicos indicam que onde hoje estão localizados os grandes desertos do Oriente Médio e África havia uma exuberante floresta tropical, a qual foi sendo derrubada sem nenhum controle para a construção de templos e teatros. O manejo inadequado expôs o solo a erosão, reduzindo sua fertilidade. Houve rompimento do ciclo hidrológico e a água outrora abundante começou a faltar. A baixa fertilidade e a desertificação dos solos foram responsáveis pelo declínio das grandes civilizações da Mesopotâmia, Pérsia, Grécia e Roma. O mesmo aconteceu com os maias na América Central’.

         Por mais que tente, o homem urbano, tão distante da natureza pelo conforto da cidade, não poderá desligar-se da terra. Há que se lembrar as palavras do chefe índio Seattle em carta ao presidente dos Estados Unidos no ano de 1854: "Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um torrão de terra e igual a outro. Porque ele e um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não e sua irmã, mas sim sua inimiga, e depois de exauri-la, ele vai embora... Sua ganância empobrecera a terra e vai deixar atrás de si desertos... 0 que e o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanta acontece aos animais pode também afetar os homens. Tudo esta relacionado entre si. Tudo quanto fere a terra fere também os filhos da terra."

         O desenvolvimento tecnológico muitas vezes ilude o homem, dando-1he a impressão de que a tecnologia tem solução para a maioria dos problemas. Embora não fosse um ecólogo, mas um economista, Friedrich Engels, em sua Dialética da natureza (citado por Conti), escreveu: "Não nos envaideçamos demais com a nossa vitória humana sobre a natureza, pois ela se vinga de cada uma de nossas vitórias. Na realidade, e em primeira instancia, cada vitória tem as conseqüências que tínhamos apontado, mas, em segunda e terceira instancias, produz efeitos totalmente diferentes, imprevisíveis, que freqüente-mente anulam as conseqüências primeiras... Os italianos dos Alpes, ao utilizar no sul os abetos protegidos com tanto zelo no norte, não previam que assim fazendo estavam cavando a sepultura do pastoreio em seu território... A cada passo nos e lembrado que não dominamos a natureza como um conquistador domina um povo estrangeiro subjugado, que não a dominamos como quem e alheio a ela, mas que pertencemos a ela em carne e sangue e cérebro e que vivemos no seu seio".

         Há, portanto, necessidade de não somente conservar os recursos naturais, mas estudá-los, conhecer o seu potencial e sua capacidade de regeneração, para não exauri-los por meio de uma utilização inadequada.

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